Foto Aérea da Ilha da Moela

Inúmeros são os faróis localizados na costa brasileira, sendo que no Litoral Paulista poderemos mencionar o farolete da Lage, inaugurado em 1919 e reformado em 1931, que fica cerca de 20 milhas do porto de Santos. Mas, no entanto, o mais antigo farol do nosso Liotral é o da Ilha da Moela, que se prolonga de Norte a Sul à entrada da baia de Santos, e que é visível do Guarujá.
Essa ilha, segundo revela o Major Eufrásio de Azevedo Marques foi "dada por carta de data a Gonçalo Nunes Chaves pelo Capitão-mor Diogo Pinto do Rego", em 27 de dezembro de 1631 e que já era conhecida dos índios pela denominação de Itamirindiba. Mais tarde é que passou a chamar-se de ilha da Moela, devido a sua aparência característica, pois o seu perfil lembra uma moela gigantesca.
Sua Posição no Oceano Atlântico é de 24º.63'de latidude sul e 46º.16'de longitude Oeste, e fica distante da ponta do Monduba cerca de 1,2 milhas e a 9 milhas a S-E de Santos. Possui ainda as seguintes dimensões: 1.000 metros em seu maior comprimento na direção N-S por 700 metros em sua maior largura, na direção E-W, perfazendo uma área de 266 mil metros quadrados.

 

- LENDA

Uma antiga lenda diz que a ilha guarda um velho tesouro pirata que ali foi enterrado no Século XVI, quando o "chão da Moela abriu-se num certo ponto para receber o tesouro do pirata".
Dessa forma - segundo reza a lenda - a ilha da Moela guardou para sempre o tesouro do corsário inglês, e continua até hoje envolta na lembrança das antigas histórias da pirataria, escondendo, algures, as arcas contendo uma imensa fortuna, e como uma "ilha do tesouro", vem despertando a avidez dos pesquisadores. Segundo os relatos históricos, o célebre corsário Thomaz Cavendish apareceu no Litoral Santista por duas vezes, de 1588 a 1591, e, numa dessas incursões, desembarcou a sua tripulação que invadiu o povoado, pilhando e saqueando, incendiando os engenhos pelo caminho até a Vila de São Vicente, que também foi arrasada.

- O FAROL

Antiga Imagem do Farol

Na legendária ilha da Moela existe um farol que foi inaugurado em 31 de julho de 1830, mantendo-se até a época atual em plena atividade, prestando inestimáveis serviços aos navegantes que demandam o porto de Santos.

No tocante a sua história, é sabido que em épocas remotas era apenas um facho luminoso que orientava os navegadores nas noites escuras. E, de acordo com o seu Memorial Histórico, a instalação do farol na ilha, ocorreu da seguinte forma: "Em 3 de julho de 1829, por indicação de um dos Membros da Câmara dos Deputados, ficou resolvido pela mesma, saber de sua Majestade, o Imperador, quais eram os portos do Império em que existiam faróis e que se cobravam impostos". Em 8 de março de 1830 recebeu o imperador, da Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação, em resposta a sua consulta, a seguinte notícia sobre o farol da Província de São Paulo: "Que desde 1º de maio de 1820 foi cobrado impostos de faróis aos navegantes no porto de Santos por um facho luminoso que se acendia todas as noites escuras na ilha da Moela, próximo a entrada daquele porto, a fim de, com essa importância, construir-se um farol naquela ilha".

O Farol hoje

Anteriormente, em 26 de julho de 1826 o Sr. Miguel José de Oliveira Pinto, expunha em carta ao Sr. Manoel Carneiro de Campos, um dos membros do Conselho da Província de S. Paulo, os planos e desenhos pedidos para o farol necessário ao porto de Santos e colocado na ilha da Moela. E em sessão do Conselho daquela Província, no dia 27 de setembro do mesmo ano, foi resolvido pedir à Junta do Comércio a quantia precisa a sua construção, e esta por sua vez fez subir as mãos de Sua Majestade, o Imperador, que, em despacho favorável, houve por bem, também permitir que o Chefe de Divisão, Paulo Freire de Andrade dirigisse a construção do mencionado farol e apresentasse novo plano e desenhos, o que foi logo cumprido e posto em prática.

Foi o primeiro farol a ser instalado nas costas do Estado de São Paulo, passando a incandescente a querosene a partir de 1852. Já em 1870, o farol - fixo de cor branca - contava com três faroleiros, além do patrão de lancha de socorro e mais seis remadores.

A 13 de maio de 1895, em substituição ao aparelho de luz que existia desde 1852, foi inaugurado um novo aparelho de luz dioptrico, montado em torre cilíndrica de alvenaria, com o plano focal elevando-se a 9,50 metros acima do solo e a 103,50 acima do preamar.
No findar do século passado, o farol da Moela, sob a inspeção da Capitania dos Portos, contava com um 1º, um 2º e dois 3º faroleiros. Com o alvorecer deste século, eram quatro os faroleiros e em 1912, lá permaneciam três faroleiros, um patrão e remadores.

Documento de 1805 chama a atenção do Governo da Província de São Paulo para a necessidade da construção do Farol, que só seria atendida em 1830.

Por volta de 1922, o farol contava com um 1º faroleiro (encarregado), segundo e terceiros faroleiros, patrão e quatro remadores, tendo sido completamente remodelado pelos anos de 1948, passando a ter um alcance de 19 milhas. Até então era manual, sendo que a luz era obtida a querosente. Cinco anos depois, foi reformado e passou a ser alimentado por energia elétrica, aumentando o seu alcance para 26 milhas.

Em 1953 a ilha passou a contar com uma estação de meteorologia e em dezembro de 1956, também foi dotada de um rádio farol de 300 milhas de alcance, o primeiro a ser instalado na consta do Estado de São Paulo, oferecendo assim, maior segurança a navegação em toda aquela área. Naquela época, a estação rádio da ilha, contava com um Primeiro-Sargento radiotelegrafista, que era encarregado do equipamento eletrônico.

Contava igualmente com um terceiro-sargento radiotelegrafista auxiliar e técnico de meteorologia, com um motorista de 1ª classe, encarregado dos motores e geradores do rádio-farol. Quanto ao farol luminoso, contava com três faroleiros, sendo um deles o encarregado.

Como complemento do equipamento de cerração, para orientar os navegantes por ocasião das cerrações, foi instalado na ilha, uma buzina de cerração, que foi extinta posteriormente.

O farol foi edificado no alto de uma chapada na fralda da montanha, instalado numa torre cilíndrica de alvenaria, pintada de branco, com 10 metros de altura e com o foco luminoso numa altura de 110 metros acima do nível do mar, emitindo luz alternada com lampejos branco e encarnado, sendo alimentado por energia elétrica de geradores que funcionam diuturnamente. O aparelho de luz é protegido por vidraças.

O rádio-farol, de funcionamento circular contínuo, fica numa torre metálica numa altura de 72 metros, com alcance de 300 milhas, transmitindo numa frequência de 305 kcs, em emissão circular de quatro e meio em quatro e meio segundos.

O farol que em 1980 completou seu sequiscentenário, prossegue até os dias atuais como um sentinela vigilante do mar e quem sabe, como um guradião das riquezas, que de acordo com a lenda, estão ocultas em algum ponto qualquer da ilha. É que segundo a lenda, a ilha da Moela guardou para sempre o tesouro do corsário Thomaz Cavendish, que acabou morrendo em alto mar e jamais voltou para se apoderar das suas arcas carregadas de riquezas.

 

Página Principal